NAPOLEÃO BONAPARTE
O humilde soldado corso, destinado a uma grande
tarefa na organização social do século XIX, não soube compreender as
finalidades da sua grandiosa missão.
Bastaram as vitórias de Ãrcole e de Rívoli, com a paz de Campoformio, em
1797, para que a vaidade e a ambição lhe ensombrassem o pensamento.
A expedição ao Egito, muito antes de Waterloo, assinalava para o mundo
espiritual a pouca eficácia do seu esforço, considerado o espírito de orgulho e
de imperialismo que predominou nas suas energias transformadores. Assediado pelo sonho de domínio absoluto, as
atividades de Napoleão pouco se aproximaram das idéias generosas que haviam
conduzido o povo francês à revolucao. Sua história está igualmente cheia de
tracos brilhantes e escuros, demonstrando que sua personalidade de general
manteve-se oscilantes entre as forças
do mal e as do bem. Com suas vitórias garantia a integridade do solo francês,
mas espalhava a miséria e a ruína no seio de outros povos. No cumprimento da sua tarefa, organizava-se
o Código Civil, estabelecendo as mais belas fórmulas do direito, mas
difundiam-se a pilhagem e o insulto à sagrada emancipação de outros, com o
movimento dos seus exércitos na absorção e anexação de vários povos.
Sua fronte de soldado pode ficar laureada, para o mundo, de tradições
gloriosas, e verdade é que ele foi um missionário do Alto, embora traído em
suas próprias forças; mas, no Além, seu coração sentiu melhor a amplitude das
suas obras, considerando providencial a pouca piedade da Inglaterra que o
exilou em Sta. Helena após o seu pedido
de amparo e proteção. Santa Helena
representou para o seu espírito o prólogo das mais dolorosas e mais tristes
meditações, na vida do Infinito.