Depressao
Em muitas circunstâncias, podemos considerar a depressao
como natural período de transicao. Sao tempos de mudanca e crescimento, épocas
de tristeza que antecedem novos horizontes de amadurecimento do ser em
constante processo de evolucao.
Os
fenômenos naturais da vida sucedem, organizados, em ciclos determinados. Os
períodos de troca dos antigos conceitos por outros tantos mais novos e melhores
para o nosso momento atual fazem parte deste ciclo natural da consciência
humana.
Aprendendo
com a natureza entre as observacoes das leis que regem os ecossistemas, é que
deixaremos as atmosferas cinzentas da depressao passar para fixarmo-nos nos
dias de sol e de alegria, que voltarao a brilhar.
Os
elementos da natureza nao existem separados uns dos outros, mas tendem a se
combinar em sistemas mais complexos, estabelecidos a partir de uma série de
associacoes físicas e biológicas.
Por
sermos parte deste grandioso espetáculo da natureza e possuirmos a capacidade
de entendê-lo racionalmente, é que deveríamos ser os primeiros a considerar a sagrada naturalidade que há
em nós, bem como a perceber, conscientemente, seu processo atuando em nossa
intimidade.
Eis
algumas conexoes entre as regras de funcionamento dos ecossitemas, que nos
ensinarao a regular o nosso ritmo de vida para nao voltarmos aos velhos padroes
de pensamentos depressivos:
1)
Na diversidade de novos conhecimentos filosóficos, religiosos ou
científicos e na análise de diversos modos de definir a realidade das coisas é
que aumentaremos a capacidade de autoregularmo-nos emocionalmente para
restabelecermos um novo equilíbrio existencial.
2)
Na interdependência da vida social, mas nunca no isolamento, é que
extrairemos as experiências de que necessitamos para sair do marasmo, pois é
nas relacoes de permuta constante na vida coletiva que aprenderemos que tudo
está relacionado com tudo. Devemos descobrir nossas similaridades com toda a
obra da Criacao. Ninguém será feliz sozinho, pois o homem é apenas uma parcela
dessa grande sinfonia da evolucao da vida na Terra.
3)
Na reciclagem de todos os elementos que as experiências da vida nos
oferecem, o reaproveitamento deverá ser feito indistintamente, tanto para os
que chamamos bons quanto para os que consideramos maus. Alegria e tristeza sao
nossos companheiros de viagem, estao sempre nos ensinando algo na caminhada
evolucional.Tudo tem seu próprio valor e lugar na existência; por isso, nao
devemos tentar afastar de forma irrefletida as nuvens negras que impedem,
momentaneamente, que a luz nos alcance. Avida na Terra é ainda um jogo de luzes
e sombras. Tudo na vida tem um fim utilitário para crescermos integralmente.
A reflexao atenta a esses apontamentos
permite-nos entender melhor nossos ciclos depressivos, recolhendo assim as
abencoadas sementes da “arte de viver”.
HAMMED
Psicografia de Francisco do Espirito Santo Neto
Texto do livro: As dores da
alma