Culto Cristão no Lar

PASSOS LIRIO

 

     Você, mãe, não ignora a influência que o ambiente exerce sobre as criaturas, em geral, e sobre a criança, em particular.

A criança, em sua generalidade, nada mais é do que um Espírito necessitado de reparar faltas e falhas do passado e de, pelo desenvolvimento de qualidades positivas, fazer com que, pouco a pouco, desapareçam suas imperfeições e fraquezas.

E o ambiente espiritual em que cada criança se sentir envolvida, muito, por certo, a auxiliará.

Você, que deseja, acima de tudo, o bem de seu filho, há de, certamente, lhe querer proporcionar esse ambiente favorável, porque, realmente, esta é a sua principal missão no Mundo.

Quando Deus nos concede um lar não é apenas para que tenhamos nele conforto e comodidade, apoio material e moral, um escudo de proteção contra os perigos da vida.  Não; é também e, principalmente, para que realizemos, dentro dele, uma obra silenciosa, de dedicação, de renúncia, de amor construtivo, isento de egoísmo e de ciúme, livre de sentimentos que com o amor não se coadunem.

Para que o seu consorte vença as suas provações e vicissitudes na vida, para que seus filhos se preparem também para vencer, para que todos se sintam ao abrigo de influências destrutivas, mister se faz que o seu coração constitua um centro de irradiações de paz, de harmonia, de compreensão, de tolerância, de bondade, de caridade, enfim, de amor cristão.

Faça do lar um núcleo gratificante, um oásis de retemperamento para todos os que nele vivem e para todos os que dele se aproximem.

Cultive o Evangelho no seu coração, na intimidade dos pensamentos e sentimentos.  Imprima-lhe esse cunho de espiritualidade que só as mulheres sabem dar a todas as coisas.  Procure sentir-se sempre mais feliz em dar, do que em receber.  Não exija isto ou aquilo daqueles que a cercam.  Procure, sim, dar alguma coisa de si mesma.  Não exija que as criaturas sejam o que Você imagina ou desejaria que elas fossem. É possível que cada uma delas também deseje que Você seja diferente do que é. Aceite-as tais quais são.  Esforce-se por compreendê-Ias mais do que ser por elas compreendida.

Cada um de nós sempre vive exigindo que os outros nos compreendam, nos desculpem, nos tolerem, nos queiram bem, maigrado os nossos defeitos que, por certo, os hão de incomodar.  Mas qual de nós procura dar aos outros compreensão, tolerância, bem querer, malgrado os defeitos que eles também apresentem?

Não faça juizos temerários nem apressados.  Procure ver tudo com bons olhos, detendo-se na melhor parte, olhos que descubram o bem antes do mal.

Procure sempre explicações simples e naturais, que assim estará mais perto da Verdade e em melhores condições de viver e conviver pacificamente.  Cultive a simplicidade em todas as coisas, principalmente no pensar e no sentir.  Esforce-se por afeiçoar sua vida e seu coração ao Evangelho de Jesus.  Mas veja bem - sua vida, não a vida dos outros.  Ponha todo o empenho em ser, hoje, melhor do que o foi ontem, entendendo os defeitos do próximo como instrumentos para burilar-lhe o espírito e como oportunidades de Você verificar o real aproveitamento dos ensinos do Evangelho.  Seja a prece uma constante nos seus dias e faça do lar um Templo da Religião do Amor, que estará assim colaborando, da maneira mais eficiente, para a instauração do Reino de Deus na face da Terra.

 

Fonte: Revista Espírita “O Reformador” – FEB – Agosto/2000