O que é o homem. Espírito encarnado. O que é espírito; fantasmas, assombrações.

A imortalidade do espírito. As muitas encarnações.

 

 

Os Espíritos revestidos dos seus corpos materiais contituem a Humanidade ou mundo corporal visível; despojados desses corpos, formam o mundo espiritual ou invisível, que enche o espaço e no meto do qual viremos sem disso desconftarmos, como vivemos no mundo dos infinitamente pequenos, do qual não suspeitávamos antes da invenção do microscópio.

Os Espíritos não são, pois, entes abstratos, vagos e indefinidos, mas seres concretos e circunscritos aos quais só falta a faculdade de serem vistos, para que se assemelhem aos homens; donde se segue que se, num dado momento, pudesse ser levantado o véu que nô-los esconde, eles formariam uma população ao nosso derredor.

                                                          Allan Kardec, em 'O Principiante Espírita'

 

 

O homem é formado de três partes essenciais:

1.     O corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital.

2.     A alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação.

3.     O princípio intermediário, ou perispírito, substância semi-material que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo. 

O espírito encarnado é chamado alma.

 

Livro dos espíritos questão 134b – As almas e os espíritos são a mesma coisa?

- Sim, as almas não são mais que Espíritos. Antes de ligar-se ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível, e depois reveste temporariamente um invólucro carnal, para se purificar e esclarecer.

 

Após a morte a alma conserva a sua individualidade através do perispírito.

O perispírito é constituído de fluídos, hauridos da atmosfera do planeta e guarda a aparência de sua última encarnação.

Isto é, quando pessoas/médiuns dizem ver um espírito elas estão vendo o seu corpo astral, isto é o perispírito, pois como se explica no livro dos espíritos (questão 88), o espírito não tem forma definida para nós:

 

Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?

Para vós não, para nós sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um claro, ou uma centelha etérea.

Essa chama tem cor?

Tem uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro.

 

Quando adormecemos o espírito pode se afastar do corpo e ter contacto com outros espíritos encarnados (que também dormem) ou desencarnados. Nestas horas nossos mentores (anjos de guarda) se aproximam de nós no intuito de nos orientar, aconselhar, consolar ou alertar. Muitos sonhos que nos recordamos so lembranças dessas experiências fora do corpo. Ao se distanciar do corpo o espírito encarnado se mantém sempre ligado ao corpo por um cordão fluídico, também chamado cordão de prata. Esse laço só é cortado na ocasião da morte. Então o espírito não pode mais animar o corpo e ele se decompõe, pois o que  assegura a vitalidade do corpo é a presença do espírito.

Uma pessoa em coma ainda tem seu espírito ligado ao corpo, por isso esse estado deve ser considerado e respeitado, pois embora o espírito não possa se expressar, por causa de um desajuste orgânico, ele ainda está aprendendo e vivenciando com essa situação.

 

No livro dos espíritos , encontramos as seguintes questões:

Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?

- Há o laço que liga a alma ao corpo.

 

De que natureza é esse laço?

- Semi-material, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois se possam comunicar um com o outro. Por meio desse laço é que o espírito atua sobre a matéria e reciprocamente.

 

Como podemos definir o Espírito?

Podemos dizer que Espíritos são os seres inteligentes da criação.

 

O que seria do corpo, se não tivesse a alma?

Uma massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, menos um homem.

 

Sobre a Imortalidade do Espírito

 

Em que sentido deve-se entender a vida eterna?

È a vida do Espírito que é eterna; a do corpo é transitória, passageira. Quando o corpo morre, a alma retorna à vida eterna.

 

Sobre a Reencarnação

 

A alma que não atingiu a perfeição durante a vida corpórea, como acaba de depurar-se?

Submetendo-se à prova de uma nova existência.

 

A alma tem muitas existências corpóreas?

Sim, todos nós temos muitas existências.

 

Qual é a finalidade da reencarnação?

Expiação,  melhoramento progressivo da humanidade. Sem isso onde estaria a justiça?

 

O número das encarnações é o mesmo para todos os espíritos em geral?

Não. Aquele que avança rapidamente se poupa das provas . Não obstante, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas porque o progresso é quase infinito.

 

Em que pode se transformar o Espírito depois de sua última encarnação?

Espírito bem aventurado; um Espírito puro.

 

 

VISÕES

 

( TEXTO EXTRAÍDO DA REVISTA ESPÍRITA-ALLAN KARDEC- JAN/1858 )

 

 

- Lê-se no Courrier de Lyon:

"Na noite de 27 para 28 de agosto de 1857, um caso singular de visão intuitiva, produziu-se na Croix-Rousse, nas circunstâncias seguintes:

"Há três meses mais ou menos, o casal B..... honestos operários tecelões, movidos por um sentimento de louvável comiseração, recolheram em sua casa, na qualidade de doméstica, uma jovem um pouco idiota e que habita os arredores de Bourgoing.

"No último domingo, entre duas e três horas da manhã, o casal B.... foi despertado em sobressalto pelos gritos agudos, produzidos pela sua doméstica, que dormia num sótão contíguo ao seu quarto.

"A senhora B.... acendendo uma lâmpada, sobe para o sótão e encontra a sua criada que, derretida em lágrimas, e num estado de exaltação de espírito, difícil de descrever, chamava, contorcendo os braços em terríveis convulsões, sua mãe que ela acabava de ver morrer, dizia ela, diante de seus olhos.

"Depois de consolar a jovem, o melhor possível, a senhora B.... retoma ao seu quarto.  Esse incidente estava quase esquecido quando, ontem, terça-feira, antes do meio-dia, um carteiro do correio entrega ao senhor B.... uma carta do tutor da jovem, que informava, a este último, que, na noite de domingo para segunda feira, entre duas e três horas da manhã, sua mãe tinha morrido em conseqüência de uma queda que sofreu, caindo do alto de uma escada.

'A pobre idiota partiu ontem mesmo, pela manhã, para Bourgoing, acompanhada pelo senhor B...., seu patrão, para ali recolher a parte de sucessão que lhe cabia na herança de sua mãe, da qual havia visto, tão tristemente, em sonho, o fim deplorável."

Os fatos desta natureza não são raros, e, frequentemente, tivemos ocasião de narrá-los, cuja autenticidade não poderia ser constestada.  Eles se produzem, algumas vezes, durante o sono no estado de sonho; ora, como os sonhos não são outra coisa do que um estado de sonambulismo natural incompleto, designaremos as visões, que ocorrem nesse estado, sob o nome de visões sonambúlicas, para distingui-las das que ocorrem no estado de vigília e que chamaremos visões pela dupla vista.  Chamaremos, enfim, visões extáticas, aquelas que ocorrem no êxtase; elas têm, geralmente, por objeto os seres e as coisas do mundo incorpóreo.  O fato seguinte pertence à segunda categoria.

Um armador, nosso conhecido, morando em Paris, nos contou, há poucos dias, o que segue: "No último mês de abril, estando um pouco doente, fui passear em Tuileries com meu sócio.  Fazia um tempo soberbo; o jardim estava cheio de gente.  De repente, a multidão desapareceu aos meus olhos; não senti mais o meu corpo, fui como que transportado, e vi, distintamente, um navio entrando no porto de Havre.  Eu o reconheci como sendo o Clémence, que esperávamos das Antilhas; eu o vi atracar no cais, distinguindo claramente os mastros, as velas, os marinheiros e todos os mais minuciosos detalhes, como se estivesse nesses lugares.  Voltando para minha casa, me entregaram um telegrama.  Antes de tomar conhecimento dele, disse: É o anúncio da chegada do Clémence, que entrou no Havre, às três horas.  O telegrama confirmava, com efeito, essa entrada na hora em que eu a havia visto em Tuileries."

Quando as visões têm por objeto os seres do mundo incorpóreo, poder-se-ia, com alguma aparência de razão, levá-las à conta da imaginação, e qualificá-las de alucinações.  Porque nada pode demonstrar a sua exatidão; mas, nos dois fatos que acabamos de narrar, é a realidade, a mais material e a mais positiva, que se evidencia.  Desafiamos todos os fisiologistas e todos os filosófos para explicá-los pelos sistemas ordinários.  Só a Doutrina Espírita pode, deles, dar conta pelo fenômeno e a emancipação da alma que, escapando, momentaneamente de suas faixas materiais, se transporta para fora da esfera da atividade corporal.  No primeiro fato acima, é provável que a alma da mãe veio procurar a filha para adverti-la da sua morte; mas, no segundo, é certo que não foi o navio que veio procurar o armador em Tuileries; é preciso, pois, que tenha sido a alma deste que foi procurá-lo em Havre.