No esforço da evolução a liberdade é do homem, as leis são de Deus. O
homem, usando dessa liberdade, traça seus rumos e Deus, marca seus limites,
ilumina-lhes os caminhos e ampara-o nas suas quedas.
O Livre Arbítrio, propriamente não é uma lei cósmica mas uma outorga
divina; uma faculdade que dá ao homem o direito de opinião própria e de decisão
livre: faculdade de julgar por si mesmo, compreender por si mesmo, decidir
por si mesmo.
É uma prova da imensa bondade de Deus e foi dada ao homem como um apoio
para que adquira consciência e méritos próprios.
Se essa faculdade não existisse não haveria a consciência própria e
consequentemente a individualidade espiritual.
E como a criação é perfeita, justa e sábia, não se conceberia jamais a
existência de espíritos criados inertes e passivos, ignorantes e escravos,
habitando mundos sonolentos e silenciosos. O livre arbítrio é pois um atestado
de liberdade para o espírito, uma possibilidade de afirmar-se, de
caminhar por seus próprios pés, de adquirir méritos para elevar-se a
regiões espirituais superiores, de combater e de abrir por si mesmo seu caminho
para as luzes e as verdades eternas.
Essa faculdade maravilhosa e benéfica, contudo, sofre condicionamentos,
flutuações e impedimentos. Porque dentro do homem (devido à seu grau de
maturidade, paixões e pensamentos), como fora dele, forças diferentes e
diferentes circunstâncias, até mesmo físicas, podem alterar sua livre
manifestação.
O livre arbítrio quando mal empregado, conduz a erros e gera
consequências ruinosas que atentam contra as leis de Deus que visam sempre a
paz, a harmonia e a justiça.
A bondade divina se necessário intervem no sentido de orientar,
iluminar, intuir o indivíduo para maior acerto de suas decisões; quando também
tenha esse fracassado na aplicação dos meios que lhe são próprios, e se
desorienta ou desespera. Intervém ainda para contrariar decisões tomadas quando
estas podem acarretar males de caráter geral, ou representam atentados
às leis divinas.
A criação de um modo geral tem um destino global, predeterminado,
como, também, determinada finalidade. O destino dos seres é aperfeiçoarem-se e
colaborarem no aperfeiçoamento do mundo para que tudo, afinal, evolua e possa
voltar para Deus, a fonte de onde surgimos. O destino global é sagrado mas,
pelo livre arbítrio, o homem pode alterar o destino imediato. Nossos
atos geram consequências e estas fatalmente se apresentam diante de nós no
devido tempo. ( “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”).
A compreensão do Livre Arbítrio não deve dar ao homem uma consciência de
poder, mas de segurança; um sentimento não de glória mas de esperança, nem
tampouco de egolatria ou de orgulho, mas de responsabilidade e de prudência.
Pelo livre arbítrio consciente e inteligente, devemos vigiar nossos
pensamentos e atos, nossos sentimentos e impulsos, e optar sempre por aquilo
que, sendo útil ao nosso progresso espiritual, não representa, todavia, mal
algum para outrem.
A Verdade é uma só, mas tem muitos aspectos e não se conhece todos, e os
que conhecemos, fazêmo-lo segundo o nosso próprio conceito, e o nosso
julgamento é sempre relativo, precário e sujeito a enganos.
Livre Arbítrio implica em responsabilidade para com Deus, com a
humanidade e consigo mesmo.
Nossa responsabilidade não existe somente pelo mal que porventura
pratiquemos, mas também pelo bem que deixamos de fazer.